Na manhã desta quinta-feira, 5, foi realizada, na Câmara de Boa Vista, audiência pública para debater junto com as instituições de assistência social e demais entidades interessadas, a situação dos imigrantes, conforme o requerimento 011, de março de 2018.
Autoridades e representantes das esferas Federal, Estadual, municipal e eclesiástica, juntamente com a sociedade civil organizada e comunidade internacional, participaram ativamente das discussões entorno das soluções plausíveis para situação dramática dos venezuelanos.
De forma preocupante foram apresentadas estimativas que apontam a chegada diária de 400 migrantes ao estado e que embora todos os esforços estejam sendo empregados, para o acolhimento dos mesmos, existe o receio de não se conseguir atender às mais diversas necessidades, com dignidade.
Aspectos sociais e de saúde foram os principais pontos das discussões, uma vez que os recursos disponíveis, tanto para o estado como para o município, ainda eram os mesmo previstos antes do fenômeno migratório.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ricardo Matos, demonstrou preocupação com a limitação orçamentária para que Boa Vista atue no controle social e atendimento de saúde.
“Não foi disponibilizado nenhum recurso a mais para viabilização das políticas de acolhimento dos migrantes. Até a presente data, todas as ações estão sendo feitas com os recursos já existentes. Essa conta não vai fechar e muito em breve não haverá condições de atender nem a população já pré existente”, alertou.
Corroborando com as colocações de Ricardo Matos, a presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Blenda Avelino, disse que a situação já ultrapassou todos os limites sociais de desequilíbrio.
Pontuou que o CRM, já oficiou às instituições da saúde na esfera Federal e parlamentares em geral, que existe uma total falta de ações efetivas que visem proteger a população, como por exemplo, a instalação de uma barreira sanitária no município de Pacaraima, para evitar a entrada de vetores de doenças graves em solo brasileiro.
“As barreiras sanitárias precisam, urgentemente, serem implantadas na fronteira. Estamos no fundo do poço e os óbitos ocasionados por doenças que estavam erradicadas do Brasil, são uma realidade tanto para brasileiros quanto para venezuelanos. Apenas em 2017, foram mais de 62 mil atendimentos à venezuelanos e a ocorrência de doenças que estavam, até então, erradicadas do Brasil, voltou com toda força. A situação é extremamente preocupante”, alertou.
O vereador Renato Queiroz se disse satisfeito com o nível das discussões e opontamentos para afinar as ações que já vem sendo desenvolvidas pelos mais diversos atores sociais envolvidos na problemática.
Pontuou que falta uma organização e clareza para agir e evitar a morte de brasileiros e venezuelanos, assim como a escalada da violência e a estimulação de atitudes xenofóbicas tem imprimido medo em todas as camadas da sociedade boa-vistense.
O vereador falou ainda que a falta de recursos impedem mais ações efetivas do poder público municipal e estadual, uma vez que apenas o exército havia recebido recursos para desenvolver as ações de acolhimento e atenção.
Queiroz clamou ainda pela união entre governo do estado e prefeitura de Boa Vista.
“Se houver uma união entre governo do estado e prefeitura o estado de Roraima talvez possa haver uma luz no fim do túnel, pois não suportamos mais viver nesta situação. O controle rigoroso da entrada dos migrantes se faz necessário porque a segurança e o bem estar da população brasileira está a cima de qualquer tratado. A situação camba para se desdobrar num abraço mortal, porque não vai ter condição de amparar a situação”, declarou.
Renato ainda em tom de desabafo perguntou aos presentes o que estaria faltando para que o Governo Federal tomasse alguma medida mais eficaz e dar a devida atenção ao problema uma vez que a saúde da população brasileira estava em risco.
O vereador finalizou afirmando que um país não cabe dentro de um estado e Roraima não poderia arcar, no cenário internacional, com os desmandos e desajustes que levaram à Venezuela ao caos social em que se encontra.