O que era para ser uma sessão festiva de abertura dos trabalhos da nova Câmara de Boa Vista, se tornou um verdadeiro ato de desrespeito e demonstração de sede de poder, promovido por um bloco de vereadores em conjunto com a Mesa Diretora da Casa.
A manobra consistiu na recondução da atual presidência para o biênio 2018/2020, fato decidido em uma sessão tumultuada e imbuída de vícios de Legalidade, uma vez que a manobra, feriu diversos Artigos do Regimento Interno e não respeitou o posicionamento e questionamentos levantados por diversos vereadores contrários à proposta apresentada.
Durante a sessão, o vereador Renato Queiroz alertou a Mesa Diretora por diversas vezes que a proposta não poderia seguir em frente, uma vez que a sessão que acontecera se tratava de um ato solene e não ordinário, como é previsto na Norma para que projetos, resoluções e votações pudessem acontecer.
Renato bateu ainda na falta de conhecimento e interpretação de diversos Artigos que foram invocados, pela presidência da Casa, para justificar o ato.
"A Mesa Diretora demonstrou que falta conhecimento do que preza o nosso Regimento Interno e isso trouxe uma insegurança na hora de argumentar do porquê da proposta ser apresentada a toque de caixa. Na nossa avaliação essa foi uma demonstração de que as coisas deverão ser tratadas prioritariamente sobre os assuntos de interesse da Mesa e sem que sejam respeitadas as opiniões e posicionamentos de boa parte dos vereadores que compõe a atual legislatura. Ontem, percebemos que a sociedade e nós vereadores, deveremos redobrar nossas atenções quanto aos acontecimentos desta legislatura, porque as primeiras atitudes tomadas pela atual presidência foram desastrosas e vergonhosas, em detrimento ao discurso de recuperação de imagem e trabalho harmônico", alertou.
Renato destacou que seguirá as orientações de seu líder, Zélio Mota, que também lamentou a forma como os trabalhos foram iniciados.
"Nunca pensei que o início de minha atividade parlamentar tivesse o brilho apagado por causa de manobras vorazes e posicionamentos escusos. A sociedade e nós, esperávamos que tudo ocorresse harmonicamente e de acordo com a proposta de um ato solene, mas infelizmente não foi o que aconteceu e digo isso porque além de estar vereador, sou advogado filiado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Roraima e sei que muitos absurdos Legais foram cometidos na sessão extraordinária que se seguiu após o ato solene", avaliou.
Renato afirmou que medidas judiciais serão tomadas a fim de que seja restabelecida a ordem legal dos atos internos e espera que a partir deste desgaste, a Mesa Diretora, repense seus atos, discuta com razoabilidade e ouça a opinião dos demais vereadores antes de levar à plenário matérias que gerem polêmicas.
"Esse desgaste foi desnecessário porque a resolução poderia ser apresentada em uma sessão Ordinária com a prévia apresentação da proposta, para que fossem verificados os amparos legais que justificassem a proposta. Mas não, microfones foram cortados, alertas foram ignorados e pedidos de explicação do porquê da pressa em aprovar a medida não tiveram resposta. Agora vamos acionar a justiça e aguardariam decisão", afirmou Queiroz.