Na tarde de segunda-feira, 18, a prefeitura de Boa Vista apresentou um mapeamento da situação migratória, colocando os apontamentos atuais e as projeções até dezembro de 2018.
A coletiva aconteceu no auditório do prefeitura e contou com a presença de vereadores, secretários, gestores da área social, imprensa e interessados no tema.
O vereador Renato Queiroz manifestou sua preocupação com o tema justificando que embora as iniciativas, para assistir aos migrantes venham sendo executadas com os mais diversos parceiros e apoios, a parte mais “pesada”, tem recaído para os lados do município.
Ele pontuou suas preocupações através dos prismas da educação e saúde.
“No tocante ao atendimento no Hospital da Criança temos um aumento médio de mais de mil crianças atendidas, fora os 37 mil estrangeiros que procuraram as Unidades Básicas de Saúde para atendimento. Na educação, o município passou a atender 2.100 crianças a mais. Isso não tem como ser sustentado se continuar entrando migrante da forma desordenada como está acontecendo”, afirmou.
A prefeita Teresa Surita apontou uma média mensal de 12 mil venezuelanos entrando em Roraima, dos quais em torno de 2.700 permanecem de forma definitiva no estado. Desse quantitativo, cerca de 19% não tem qualquer assistência oficial nos oito abrigos que foram instituídos para atender aos refugiados.
A prefeita alertou ainda que se a entrada na fronteira continuar acontecendo da forma como está, seria necessário construir um abrigo por mês para dar a assistência social ideal e com um mínimo de humanidade.
“Hoje, nos oito abrigos que atendem 3600 migrantes, são oferecidas 10.800 refeições diárias. Isso vai ter fim, porque todo recurso e apoiamento tem um limite e se as projeções se confirmarem, não tem como assistir tanta gente”, alertou.
O mapeamento traçou um perfil dos migrantes mostrando que 74% tem entre 15 e 60 anos; que 57% são homens; que 87% dos chefes de família pretendem trazer seus famíliares que ainda estão em solo venezuelano; que 65% são solteiros e desses 60% são mulheres, que 22% são crianças; que 43% já possui carteira do SUS e 73% foram vacinados no Brasil.
A pesquisa mostrou ainda do total de migrantes em Boa Vista 81% era trabalhador na Venezuela, e que 68% perdeu o emprego nos últimos três anos. 65% está atualmente desempregado e deste quantitativo 90% não tem qualquer assistência oficial. Já 10% “vive” nos espaços públicos.
Teresa alertou ainda que conforme as projeções, na melhor das hipóteses, em dezembro de 2018, mais de 10 mil venezuelanos estarão em Boa Vista, colapsando toda rede de atendimento à população, visto que os recursos aplicados e estimativas não contemplaram um aumento populacional tão significativo.
Ela aproveitou para adiantar algumas solicitações que serão levadas ao presidente Michel Temer, durante sua vinda a Roraima nesta terça-feira 19.
“Temos um limite de nossas condições para assistência e atendimento, por isso irei propor ao presidente que se interiorize pelo menos 500 venezuelanos por viajem, para que nós possamos atuar de uma forma mais tranquila. Fizemos três cenários que apontam aumento entre 10 e 55 mil venezuelanos em Boa Vista. Chegam em média 500 pessoas aqui, não temos como absorver de forma satisfatória e decente. Uma hora, os recursos vão acabar e a realidade está aí para ser enfrentada. Precisamos de ajuda”, clamou.