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O PICO, os picos e a consciência

Como estou vendo muita gente tirando onda com a cara do Luís Henrique Mandetta, ministro da Saúde do País, pela questão do “pico da curva”, e sei que nessa galera predomina o “não assisto globo” e provavelmente perderam as explicações dele sobre isso no fantástico, vou dividir as impressões que tenho sobre isso por aqui.

Primeiro a gente tem que ter em mente que quando se fala em PICO EPIDÊMICO, estamos falando do ponto mais alto na curva de infecção, até que o número de novos casos comece a cair ou pelo menos estabilize.

O problema de quem critica do Mandetta ter errado feio é não entender o que exatamente está criticando: Se o pico de fato não atendeu as primeiras projeções feitas pela equipe dele, isso em todos os aspectos é muito ruim, porque significa q as contaminações continuam crescentes ao invés de terem reduzido, e que estamos mais longe de iniciar a normalidade do que ele presumia.

Acredito que role com frequência a confusão entre a diferença do que seria o PICO EPIDÊMICO com a batalha central dessa guerra, que é não deixar que tenhamos “picos sanitários” acima da capacidade de atendimento dos estados.

Picos sanitários acima das capacidades de atendimento são más notícias, são temporalmente contornáveis por isolamentos sociais bem feitos ou aumento significativo das estruturas hospitalares, pra ficar em dois exemplos.

Ninguém quer saber desse pico, nós odiamos ter que testemunhar esse pico e precisamos tentar a todo custo evitá-lo.

Já o PICO EPIDÊMICO em si, é consequência natural da pandemia. É o limite máximo que ela irá judiar da gente antes que comece a estabilizar e consequentemente, cair. Nós só podemos constata-lo com inequívoca certeza, quando no futuro olharmos pra trás e dissermos: olha ali o danado!

Portanto, projeção é um “chute técnico” sobre quando sairemos deste buraco. É composta por variáveis complexas como população total, casos confirmados, novos casos diários, grupos de risco, total de pessoas que podem ser expostas ao vírus, quem tem potencial de transmitir, infectados em recuperação, tempo entre infecção e primeiros sintomas, tempo que um infectado pode transmitir a doença, entre outros. Fora variáveis bem mais sensíveis e difíceis de medir como por exemplo, comportamento individual durante um processo de isolamento.

Ou seja, querer acertar isso em cálculos de WhatsApp, é matéria pra gênios. Para arriscar aproximação de acerto nesse sentido, são usados complexos modelos matemáticos e máquinas com poder de processamento não muito comuns.

 Então, quando o Mandetta (ou quem venha a lhe substituir) errar, tenha em mente que só se erra projeção de PICO EPIDÊMICO pra menos, do contrário já teríamos o identificado com a devida certeza no passado, e não teríamos mais ninguém querendo “adivinhar”.

Esse “erro” é infelizmente uma constatação de que não estamos fazendo as coisas direito. É evidência de que os casos continuam subindo.

 Pra que os ministros parem de tentar adivinhar o PICO EPIDÊMICO precisamos desenhá-lo com nossa consciência.

A partir do comportamento social adequado ao combate à pandemia, onde observemos as determinações de líderes que agem a luz dos saberes e da ciência, começaremos a descida de volta à normalidade.

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